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francis bacon.
Bacon repete dizendo: para conjurar o caráter figurativo, ilustrativo, narrativo, que a Figura teria necessariamente se não estivesse isolada. A pintura não tem nem modelo a representar, nem história a contar. Desde então ela tem como que duas vias possíveis para escapar ao figurativo: seguir no sentido de uma forma pura, por abstração ou no sentido de um puro figural, por extração e isolamento. Se o pintor tende à Figura,se ele toma a segunda via, isto será para opor o “figural” ao figurativo. A primeira condição é a de isolar a Figura. O figurativo (a representação) implica, de fato, em relacionar uma imagem a um objeto e buscar ilustrá-lo; mas ela implica também a relação de uma imagem com outras imagens em um conjunto composto que oferece precisamente para cada um o seu objeto. A narrativa é o correlato da ilustração. Entre duas figuras, há sempre uma história que se insinua ou tende a se insinuar, para animar o conjunto ilustrado. Isolar é então o modo mais simples, necessário, mas não o suficiente, para romper com a representação, quebrar a narrativa, impedir a ilustração, liberar a Figura: para deter-se no fato.
pro Deleuze.
Publicado em chantilly.
Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios.
Falei que estava planejando ir embora. Lavinia gritou do chuveiro:
O que você disse?
Entrei no banheiro e puxei a cortina de plástico. Ela ensaboava o corpo.
Tô pensando em ir embora daqui.
Pra onde?
Não sei ainda. Talvez eu volte pra São Paulo.
Lavinia passou o sabonete entre as pernas, levantou um monte de espuma. E sonho.
Sou apaixonada pelo livro do Marçal de Aquino e devo dizer que o filme não decepciona.
Dia 20, nos cinemas.
Publicado em chantilly.
quão tão
o quão inconstante é a mente do ser humano.
de tanto que quer e de tudo que faz. do pouco que faz e do muito que pensa.
o quão abusado é o ser humano; homem, mulher, gay, lésbica, travesti, criança, adulto ou idoso sempre todos abusados, abusivos. sem censura mas tão caretas, tão desclassificados, tão tudo e tão pouco.
o quão tão todos somos. abraçando o mundo como uma criança aprendendo a andar e caindo como um idoso com osteoporose. sem saber, sem sentir, sem pensar quando tudo vai acabar.
hoje, amanhã, agora e ontem..o quão iguais.
o aprendizado segue sendo a única constância para aqueles que pensam e querem. o aprendizado segue sendo a eterna constância daquele que sente.
Publicado em chantilly.
uruguaiana
cacarecos. bugigangas. (in) utilididades. (des) necessárias.
a vida alheia passa pela vulgar. lá no saara.
Publicado em chantilly.
percepções de um mundo alheio.
Pela alegria de um ser humano em uma simples metarmófose, eis que me encontro submerssa em um mundo no qual não foi planejado nem criado, me encontro enfurnada dentro do meu próprio ego auto-destrutivo e sem nenhum tipo de senso comum entre o bom e o ruim. Ver-me afogando dentro do meu próprio podre, sem nem ao menos perceber, ou percebendo mas sem nem ao menos ligar. Assistindo de camarote o espetáculo contagiante e meigo de mentiras nas quais o conforto é o lugar ideal. A sensação de bem estar sempre vem, como a droga, e pra mim é isso que importa. As minhas drogas são as minhas próprias martirizações, as minhas próprias crenças que não são mais tão profundas. Não consigo mais viver dentro do que criei, eu percebi pelo menos. O que a mudança de uma vida alheia seria em uma hora em que meu mundo não para de frente a mim, sempre focado aos outros. Hora de criar novas prioridades, novas verdades e novas magias. A magia está em falta como tudo que é belo.
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londres
Londres tem a fumaça da vida que nunca para, tem os dias cinzentos que insistem em se misturar com o verão azul, tem todas as estaçoes do ano em um único dia, além disso, Londres é colorida. Londres é vermelha, é azul e amarela. Londres também sabe ser rosa pink, verde limão e roxa. Londres é tudo que a gente ve pelo mundo, é a Índia, é a China, é Nova York, é Bangladesh, é o Japão, é o Brasil. Londres é a multiplicidade misturado com um povo que tenta ser único. Todos tão iguais, corretos, educados, sérios, estressados e sempre correndo pelas escadas dos metrôs que levam a todos os lugares e que nunca param. Londres é suja, daquelas que deixa a mão preta no final de um longo dia na rua. Londres tenta camuflar a rotina em parques, em verdes, em flores bem cuidados e bem plantadas. Londres é feita de consumo e para consumir. Londres carrega o punk, o rock, o jazz e um pouco de rima. Londres é sem preconceitos, é liberta, te deixa amar, te deixa viver, te deixa sofrer, te deixa rir e te deixa chorar, assim como as estações, em um único dia. Londres nunca vai ter um dia inteiro ensolarado. Londres precisa do vento, precisa ver a pele rachar, a pele sentir a cidade gritar. Londres te levao do retrô ao contemporâneo em um único lugar. Londres sabe de cultura, sabe de arte, sabe de moda, sabe de música. Londres com a mão do volante do lado direito faz os círculos da cidade se tornarem abismos. Londres quer ser diferente no sotaque, no trânsito, nas comidas, no cheiro, na textura e nas cores. Londres é antiga, tem um palácio que vive a Rainha e os Príncipes porquê Londres se recusa a se igualar ao resto político de um mundo igual. Londres tende à utopia. Londres te deixa beber cerveja às 10 da manhã em um parque qualquer, e porque não cerveja quente? Londres tem todos os tipos de energias. Londres dança. E com essa dança eu tenho me libertado e gritado amar esse lugar.
Londres, eu amo essa cidade e tudo que ela carrega.
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