O que aprendemos com a Alemanha durante a Copa.

Hoje, pela primeira vez, vou falar de futebol!

Acabou a Copa. Apostei lá no começo: Alemanhã campeã, e foi. Esse resultado nos ensina muita coisa além de um impedimento único na história do futebol de que nossos eternos rivais hermanos ganhem a Copa na nossa casa, pátria amada Brasil. O resultado, por um lado concreto, explica muita coisa sobre contrastes economicos, políticos e psicológicos com a vitória de um país que possui números elevados em índices mundiais dentro de um país em desenvolvimento e ascenção que se encontra em extremo descontrole emocional, desorganizado economicamente e sem base política.

A Alemanha pode nos ensinar sobre educação e como o carisma de um povo bem educado, que reconhece forças e fraquezas dos rivias, pode ser um grande aliado para somar forças e suprir espaços vazios quando se está longe de casa. A seleção alemã se divertiu muito no Brasil e fez questão de deixar isso bem claro em textos, fotos e vídeos divulgados contantemente nas redes sociais dos jogadores e a equipe técnica fez questão de aprender umas palavrinhas em português pra agradecer ao nosso país pela recepção no fim de tudo. Sem contar na incrível jogada de marketing da segunda camisa da seleção alemã com uma singela e escrachada homenagem ao clube que possui a maior torcida do Brasil: o Flamengo. A camisa, que ficou conhecida como “Flalemanha”, deu tão certo que no jogo BrasilxAlemanha tinha muito flamenguista torcendo pela Alemanha.

A Alemanha pode nos ensinar sobre respeito e sobre a importância de saber até onde chega o seu limite e onde começa o do outro. Foram inúmeras as situações que vimos os jogadores da Alemanha consolando postiviamente os adversários derrotados e inúmeras as demonstrações de respeito ao rival afinal das contas, futebol não é guerra. Futebol é um esporte positivo em que une o planeta inteiro por um só motivo, libera o preconceito e abraça a derrota como uma dor que é preciso ser superada para seguir adiante. A derrota no futebol é difícil, doloroso e triste, o coração aperta e o sorriso desaparece. Atitudes de respeito ao rival é essencial para que o real conceito de futebol seja aplicado sobre nós.

A Alemanha doou para o Estado da Bahia o hotel em que estavam hospedados em Cabralia, construído pela Mercedes Benz especialmente para hospedar a seleção na ocasião da Copa do Mundo, com a finalidade de se transformar em uma escola pública na região. Isso mostra que podemos aprender com a Alemanha sobre ser cidadão do mundo e não do somente do seu próprio país afinal compartilhamos o mesmo planeta e o desenvolvimento dos estados é importante para o desenvolvimento do ser humano, de forma geral.

Acho que a Alemanha superou, finalmente, o trauma da II Guerra Mundial que envergonhava toda uma nação da sua bandeira. Acredito que hoje o povo alemão se redime através da sua postura extremamente correta diante do mundo e, finalmente, desfilam com a bandeira vermelha, amarela e preta sem amarras e sem preconceitos passados de uma história rica de acontecimentos que marcaram alguma gerações no país que hoje é tetra campeão mundial de futebol. Merecida a vitória, não só por conta da seleção estrategicamente muito bem organizada, mas também pelo povo que merece ter orgulho da sua bandeira.

FiFA World Cup 2014 Results 1

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clarice

“Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles.Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.Como eles admiravam estarem juntos!Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.”

Um mês

Tenho vivido e convivido comigo mesma e com o mundo uma mistura de alegria com tristeza. Aprendi que só é feliz quem um dia já chegou perto de desmoronar, aprendi que a felicidade é relativa e que é algo às vezes tão não concreto que domina o corpo de uma forma libertadora. Me dei flores, me dei um livro novo, me dei o prazer da liberdade e me dei um tempo olhando a lua no sábado, grande e brilhante; foi o suficiente pra pensar um pouco como Oscar Wilde, que busca o prazer incansavelmente – com flores, livros, liberdade e a lua, quem não é completamente feliz?! Aprendi a me doar um pouco na poesia do samba, que rima um bocado de tristeza pra fazer versos bonitos. Aprendi um tanto que não sabia sobre amor e amar, sobre o desejo que engloba tudo e sobre a vontade do não-querer. Me mascarei um pouco pra conseguir falar o que não conseguia e pra conseguir me expressar dentro de mim com a auto-estima que me foi dada (tal que já foi baixa a ponto de buscar esconderijo). Aprendi a passar batom de cor forte, aprendi a cuidar do cabelo e da pele, aprendi a valorizar meu corpo, aprendi a dialogar com meus problemas, aprendi a conter o choro e a ser paciente comigo mesma. Aprendi a respirar melhor sozinha, eu e o oxigênio que a natureza nos dá com prazer. O prazer de doar para receber, uma doçura sem igual de alguém que fica feliz pelo simples fato de te ver bem, raro porém existe. Aprendi sobre o mundo parecer vasto o bastante pra nós que somos 1 em mais de bilhão mas a maioria das pessoas acabam por se sentir sozinhas e solitárias. Os prazeres podem vir com muita sorte ou com muita luta, na maioria das vezes a luta não basta. Sempre falei e sempre achei que a falta de coragem fode com o mundo, e realmente fode. É importante conhecer a coragem, subir em um abismo sem saber por onde descer mas saber que ali tem uma saída e só cabe a você ter a coragem de procurar e de se arriscar. Aprendi sobre isso e sobre ir atrás. Confesso que ainda não comecei mas o processo de reconhecer está me encorajando, com a pouca ou muita idade não importa, o estado de espírito é sempre predominante. Acredito que existe uma força que conspira para que as coisas aconteçam ao nosso redor, cabe à nós mesmos nos permitirmos a dar de cara com essa força e reconhecer o mal que ela faz e o bem que ela traz. Ter medo de coisas ruins não adianta pois ninguém vive em estado de graça por uma vida inteira. O medo é bonito e aprendi a me deixar sentir medo pra poder combate-lo da forma que lhe é cabível. Não estou escrevendo sobre nós, mas sobre um momento em que tudo pareceu sem sentido por uma série de acontecimentos que me rondaram, me colocaram no chão e em conflito interno. Hoje, exatamente hoje, quando chorei no telefone depois de muito tempo sem derramar uma lágrima que não estivesse diretamente relacionada ao amor que sinto ou deixei de sentir por alguém, percebi que o chão não me cabe mais. Percebi minha grandeza e me vi com medo de muitas coisas boas. Percebi o quão bonita é a vida, por mais clichê que essa frase pareça ser quando sai da boca de algumas pessoas que acham a vida bonita ao ver o pôr do sol. Não sei o que me espera na esquina amanhã ou mês que vem, sei do que me atormentou e do que passei. Sei do que posso passar e do que posso crescer. Sei que a força que me ronda no momento pode não ser das melhores mas sei também que o mal se cansa. Eu sei dos seus medos e das suas inseguranças, sei das suas travas e dos seus conflitos internos que você não expõe, sei do esforço que você faz para aparentar ter uma vida perfeita mas sei também que não importa o quão bom você aspira ser, ninguém jamais atinge a perfeição. Aprendi sobre a minha delicadeza ao fazer o bem a alguém e ao ficar radiante ouvindo histórias de realizações de terceiros. Me permiti um tanto, tanto quanto nunca havia. Me permiti viver comigo mesma em harmonia, depois de lágrimas de liberdade.

sobre o conforto de tudo acabar

quando a gente sente dor por dentro e percebe que o exterior é tão superficial e passageiro quanto o corpo que vivemos. a gente vê tudo se apertando e ficando pequeno como as metáforas das caixas de fósforo, dá agonia e faz suar. coisa louca dessa vida que a gente arruma entre as pessoas. os laços que a gente acaba criando, nada vira passageiro como gostaríamos que fosse por conta dos sentimentos depositados. é tanto ódio, raiva, rancor, arrependimentos e frustrações que vemos por ai que quando aparece amor e saudade vira laço de felicidade. saudade quando vem com amor é bonita mas dói, mas tudo que envolve amor acaba alguma hora doendo. dói de várias formas inevitavelmente gostosas de viver. as coisas gostosas de viver só vem com um bocado de dor mesmo, quando cai de para-quedas é queda livre, queda fácil…o bom é quando enrosca, quando falta ar, quando nada abre, quando nada mais se encaixa e quando nada mais faz sentido. o bom é quando tudo isso se junta e ai é gostoso como o prazer de alguém que demorou pra ver o mar pela primeira vez. ver tudo renascer, como um anjo vendo o céu pela primeira vez e aprendendo a voar pelas nuvens, dormir em cima de uma nuvem por fim, macia….

conforto.
tantas pessoas no mundo, andando pra lá e pra cá e a gente sem saber o destino. tantas pessoas que caminham na nossa frente e a gente não sabe pra onde. tantos caminhos que podem dar errado e tantos que podem dar certo. incerteza de uma coisa infinita que não vale a pena (ou vale) pensar pra não ficar angustiado. a angustia sempre leva a algum lugar. a gente acaba chegando à conclusão que só as coisas ruins chegam à algum lugar, quando vem com um tanto de bom senso. muitas palavras ao vento que a gente queria que fossem guardadas em algum tipo de livro dentro da memória, tantas palavras que a gente queria que fossem lembradas. memória seletiva é tão bonito! bonito é ver a nossa memória involuntariamente selecionar o que quer guardar. ninguém te pergunta se você deseja guardar pra sempre o que você comeu no almoço do dia 9 de Janeiro de 2013 e que horas e qual era o tamanho do seu cabelo no dia e a cor da sua meia e o quão apertada estava a sua cueca. se aquele momento foi selecionado pela sua memória é porque algum amor havia ali, é porque alguma sensação boa você sentiu ali ou é porque alguma dor forte e marcante você viu acontecer ali. a memória seleciona o que marca, isso não há como negar.
conforto, de novo.
conforto ferra a vida toda, na verdade. me perdoe dizer que uma pessoa que vive em conforto é o tipo de ser humano que mais me incomoda. cadê a luta?! a garra, a força, a vontade. não precisa sempre vencer ou se desgastar mas ir atrás é importante. gosto de ver a luta das pessoas pra algo dar certo e quando já deu ir lutar por outra coisa e quando já deu sempre tem mais uma e, opa…agora mais uma ali. eu gosto disso. tipo criança que não se contenta em falar só “papai” quer falar “mamãe” também, e quer falar mais e mais e mais e depois quer andar. criança não vive pra sempre no berço mamando no peito da mãe porque ali, de fato, é confortável. não adianta negar nem virar a cara, vivemos em busca do conforto próprio. somos egoístas mesmo! o “eu” nunca esteve tão na moda, é tanto “eu” e tanto egocentrismo que a gente acaba se conformando e vivendo no conforto de quem é assim e acabou.
conforto…
o conforto ferra com tudo.

 

Nota

Trabalhar dentro de um escritório como designer de 9 as 18hrs da tarde na mesma cidade me deixa entediada. Eu gosto do mundo, gosto da vida, gosto de ver pessoas, de ver lugares, de ver culturas, de ver as cores. Então hoje eu acordei com a vontade do mundo, vontade de trabalho autoral, vontade de ganhar na vida, por mim mesma. Vontade de Croácia, Turkya, Grécia, Tailândia, Índia, Londres, Amsterdam, Paris, NYC e Berlin. Vontade de crescer, de evoluir, vontade de inovar, de criar, de sentir, vontade do mundo ao extremo…vontade de lugares bonitos, diferentes, extraordinários.

Vontade de comecar. Imagem

 

francis bacon.

Imagem

Bacon repete dizendo: para conjurar o caráter figurativo, ilustrativo, narrativo, que a Figura teria necessariamente se não estivesse isolada. A pintura não tem nem modelo a representar, nem história a contar. Desde então ela tem como que duas vias possíveis para escapar ao figurativo: seguir no sentido de uma forma pura, por abstração ou no sentido de um puro figural, por extração e isolamento. Se o pintor tende à Figura,se ele toma a segunda via, isto será para opor o “figural” ao figurativo. A primeira condição é a de isolar a Figura. O figurativo (a representação) implica, de fato, em relacionar uma imagem a um objeto e buscar ilustrá-lo; mas ela implica também a relação de uma imagem com outras imagens em um conjunto composto que oferece precisamente para cada um o seu objeto. A narrativa é o correlato da ilustração. Entre duas figuras, há sempre uma história que se insinua ou tende a se insinuar, para animar o conjunto ilustrado. Isolar é então o modo mais simples, necessário, mas não o suficiente, para romper com a representação, quebrar a narrativa, impedir a ilustração, liberar a Figura: para deter-se no fato.
 
pro Deleuze.
Vídeo

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios.

Falei que estava planejando ir embora. Lavinia gritou do chuveiro:
O que você disse?
Entrei no banheiro e puxei a cortina de plástico. Ela ensaboava o corpo.
Tô pensando em ir embora daqui.
Pra onde?
Não sei ainda. Talvez eu volte pra São Paulo.
Lavinia passou o sabonete entre as pernas, levantou um monte de espuma. E sonho.

Sou apaixonada pelo livro do Marçal de Aquino e devo dizer que o filme não decepciona.

Dia 20, nos cinemas.