sobre o conforto de tudo acabar

quando a gente sente dor por dentro e percebe que o exterior é tão superficial e passageiro quanto o corpo que vivemos. a gente vê tudo se apertando e ficando pequeno como as metáforas das caixas de fósforo, dá agonia e faz suar. coisa louca dessa vida que a gente arruma entre as pessoas. os laços que a gente acaba criando, nada vira passageiro como gostaríamos que fosse por conta dos sentimentos depositados. é tanto ódio, raiva, rancor, arrependimentos e frustrações que vemos por ai que quando aparece amor e saudade vira laço de felicidade. saudade quando vem com amor é bonita mas dói, mas tudo que envolve amor acaba alguma hora doendo. dói de várias formas inevitavelmente gostosas de viver. as coisas gostosas de viver só vem com um bocado de dor mesmo, quando cai de para-quedas é queda livre, queda fácil…o bom é quando enrosca, quando falta ar, quando nada abre, quando nada mais se encaixa e quando nada mais faz sentido. o bom é quando tudo isso se junta e ai é gostoso como o prazer de alguém que demorou pra ver o mar pela primeira vez. ver tudo renascer, como um anjo vendo o céu pela primeira vez e aprendendo a voar pelas nuvens, dormir em cima de uma nuvem por fim, macia….

conforto.
tantas pessoas no mundo, andando pra lá e pra cá e a gente sem saber o destino. tantas pessoas que caminham na nossa frente e a gente não sabe pra onde. tantos caminhos que podem dar errado e tantos que podem dar certo. incerteza de uma coisa infinita que não vale a pena (ou vale) pensar pra não ficar angustiado. a angustia sempre leva a algum lugar. a gente acaba chegando à conclusão que só as coisas ruins chegam à algum lugar, quando vem com um tanto de bom senso. muitas palavras ao vento que a gente queria que fossem guardadas em algum tipo de livro dentro da memória, tantas palavras que a gente queria que fossem lembradas. memória seletiva é tão bonito! bonito é ver a nossa memória involuntariamente selecionar o que quer guardar. ninguém te pergunta se você deseja guardar pra sempre o que você comeu no almoço do dia 9 de Janeiro de 2013 e que horas e qual era o tamanho do seu cabelo no dia e a cor da sua meia e o quão apertada estava a sua cueca. se aquele momento foi selecionado pela sua memória é porque algum amor havia ali, é porque alguma sensação boa você sentiu ali ou é porque alguma dor forte e marcante você viu acontecer ali. a memória seleciona o que marca, isso não há como negar.
conforto, de novo.
conforto ferra a vida toda, na verdade. me perdoe dizer que uma pessoa que vive em conforto é o tipo de ser humano que mais me incomoda. cadê a luta?! a garra, a força, a vontade. não precisa sempre vencer ou se desgastar mas ir atrás é importante. gosto de ver a luta das pessoas pra algo dar certo e quando já deu ir lutar por outra coisa e quando já deu sempre tem mais uma e, opa…agora mais uma ali. eu gosto disso. tipo criança que não se contenta em falar só “papai” quer falar “mamãe” também, e quer falar mais e mais e mais e depois quer andar. criança não vive pra sempre no berço mamando no peito da mãe porque ali, de fato, é confortável. não adianta negar nem virar a cara, vivemos em busca do conforto próprio. somos egoístas mesmo! o “eu” nunca esteve tão na moda, é tanto “eu” e tanto egocentrismo que a gente acaba se conformando e vivendo no conforto de quem é assim e acabou.
conforto…
o conforto ferra com tudo.

 

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