Um mês

Tenho vivido e convivido comigo mesma e com o mundo uma mistura de alegria com tristeza. Aprendi que só é feliz quem um dia já chegou perto de desmoronar, aprendi que a felicidade é relativa e que é algo às vezes tão não concreto que domina o corpo de uma forma libertadora. Me dei flores, me dei um livro novo, me dei o prazer da liberdade e me dei um tempo olhando a lua no sábado, grande e brilhante; foi o suficiente pra pensar um pouco como Oscar Wilde, que busca o prazer incansavelmente – com flores, livros, liberdade e a lua, quem não é completamente feliz?! Aprendi a me doar um pouco na poesia do samba, que rima um bocado de tristeza pra fazer versos bonitos. Aprendi um tanto que não sabia sobre amor e amar, sobre o desejo que engloba tudo e sobre a vontade do não-querer. Me mascarei um pouco pra conseguir falar o que não conseguia e pra conseguir me expressar dentro de mim com a auto-estima que me foi dada (tal que já foi baixa a ponto de buscar esconderijo). Aprendi a passar batom de cor forte, aprendi a cuidar do cabelo e da pele, aprendi a valorizar meu corpo, aprendi a dialogar com meus problemas, aprendi a conter o choro e a ser paciente comigo mesma. Aprendi a respirar melhor sozinha, eu e o oxigênio que a natureza nos dá com prazer. O prazer de doar para receber, uma doçura sem igual de alguém que fica feliz pelo simples fato de te ver bem, raro porém existe. Aprendi sobre o mundo parecer vasto o bastante pra nós que somos 1 em mais de bilhão mas a maioria das pessoas acabam por se sentir sozinhas e solitárias. Os prazeres podem vir com muita sorte ou com muita luta, na maioria das vezes a luta não basta. Sempre falei e sempre achei que a falta de coragem fode com o mundo, e realmente fode. É importante conhecer a coragem, subir em um abismo sem saber por onde descer mas saber que ali tem uma saída e só cabe a você ter a coragem de procurar e de se arriscar. Aprendi sobre isso e sobre ir atrás. Confesso que ainda não comecei mas o processo de reconhecer está me encorajando, com a pouca ou muita idade não importa, o estado de espírito é sempre predominante. Acredito que existe uma força que conspira para que as coisas aconteçam ao nosso redor, cabe à nós mesmos nos permitirmos a dar de cara com essa força e reconhecer o mal que ela faz e o bem que ela traz. Ter medo de coisas ruins não adianta pois ninguém vive em estado de graça por uma vida inteira. O medo é bonito e aprendi a me deixar sentir medo pra poder combate-lo da forma que lhe é cabível. Não estou escrevendo sobre nós, mas sobre um momento em que tudo pareceu sem sentido por uma série de acontecimentos que me rondaram, me colocaram no chão e em conflito interno. Hoje, exatamente hoje, quando chorei no telefone depois de muito tempo sem derramar uma lágrima que não estivesse diretamente relacionada ao amor que sinto ou deixei de sentir por alguém, percebi que o chão não me cabe mais. Percebi minha grandeza e me vi com medo de muitas coisas boas. Percebi o quão bonita é a vida, por mais clichê que essa frase pareça ser quando sai da boca de algumas pessoas que acham a vida bonita ao ver o pôr do sol. Não sei o que me espera na esquina amanhã ou mês que vem, sei do que me atormentou e do que passei. Sei do que posso passar e do que posso crescer. Sei que a força que me ronda no momento pode não ser das melhores mas sei também que o mal se cansa. Eu sei dos seus medos e das suas inseguranças, sei das suas travas e dos seus conflitos internos que você não expõe, sei do esforço que você faz para aparentar ter uma vida perfeita mas sei também que não importa o quão bom você aspira ser, ninguém jamais atinge a perfeição. Aprendi sobre a minha delicadeza ao fazer o bem a alguém e ao ficar radiante ouvindo histórias de realizações de terceiros. Me permiti um tanto, tanto quanto nunca havia. Me permiti viver comigo mesma em harmonia, depois de lágrimas de liberdade.

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